Porto de Abrigo (São Vicente)


O Porto de Abrigo, em São Vicente, é um tesouro que merece uma visita por um conjunto de razões, a começar pela oferta diferenciada que apresenta a nível arquitetónico. É um espaço onde houve pouca intervenção humana, preservando o valor histórico da construção à beira-mar.

Terá sido o primeiro lugar onde bebemos Poncha da Madeira, feita com mestria pelo amigo Rafael Gomes que, infelizmente, partiu repentinamente, em 2024, em finais de setembro. Mas o seu legado ficou naquele espaço aconchegante.


É fácil de reconhecer entre as construções modernas. Está localizado na marginal de São Vicente, a Avenida Marcos Marques Rosa. Sobressai pela fachada, toda em pedra. O interior acompanha aquele padrão, tendo sido adaptados lugares para sentar, assim como para a construção do bar, onde houve a preocupação de não destoar.

O edifício foi idealizado e construído em 1924 sob a orientação de Frederico Egídio de Freitas da Silva, seu primeiro proprietário, na época, agente da Agência Blandy noFunchal, responsável pela navegação marítima costeira a vapor da costa norte. 
Inicialmente foi um armazém de receção de diversas mercadorias provenientes da capital da ilha e transportadas pelos navios a vapor, nomeadamente o 'Gavião', o 'Bútio' e o 'Falcão', entre outros, que em frente do edifício fundeavam fazendo porto quando o mar assim o permitia.
Estes navios, no regresso ao sul, carregavam nos seus porões as pipas cheias de vinho que ali se encontravam armazenadas com destino ao Porto do Funchal. 
Como não havia cais em São Vicente, estas pipas eram transportadas a nado através de um cabo "vai-e-vem", que ligava a praia ao navio e içadas para bordo pelo seu guincho. 
No seu trajeto eram acompanhadas também a nado por dois homens que garantiam a sua segurança e estabilidade.
Outras mercadorias mais leves e passageiros eram também transportados em botes a remos para os navios que os levavam com destino ao Funchal e a outros portos da Madeira e do Porto Santo. Posteriormente a chegada da estrada a São Vicente, em 1952, facilita a ligação de transportes públicos entre o Funchal e São Vicente. Como consequência começa o declínio no transporte marítimo que ainda perdura mais alguns anos. 
Nessa altura, o edifício é conhecido como 'Armazém do Calhau'. Transforma-se em adega e constroem a adega sob a orientação do seu primeiro proprietário, surgindo um lagar artesanal de pisa de uvas das suas vinhas. 
A produção de vinhos foi contínua durante alguns anos, por duas gerações de filhas e netos que mantiveram sempre a qualidade.

A Poncha da Madeira é excelente e é sempre feita na hora. O aroma e o sabor depressa convidam a mais outra, sempre com moderação, evidentemente.
Acompanha o tradicional amendoim ou tremoços.
Existem muitas outras opções para petiscar. Na realidade, o Porto de Abrigo disponibiliza um menu de tapas, com pratos como 'Entradinha de Queijo Camembert', 'Alheira com Mel e Pistachio', 'Queijo de Cabra no forno com mel', 'Delícia de Carpaccio', 'Bruschettas de Queijo Brie e Fruta', 'Bruschettas de Camarão', 'Rolitos de Presunto & Mango', 'Camarão Salteado com alho', 'Mexilhão Frito', 'Amêijoa à Moda da Casa', 'Picado', pregos normal e especial, Bolo do Caco, e petiscos com Tábuas mistas, de queijo, de Carnes Frias, e Chouriço Assado, entre outros.




Horário
domingo a 5.ª feira: 9 horas - 23h30 (ou mais tarde)
6.ª feira e sábado: 9 horas - 0h30 (ou mais tarde)


Variedades de Poncha da Madeira:

  • Poncha Regional
  • Poncha à Pescador
  • Poncha de Maracujá 
  • Poncha de Ananás 
  • Poncha de Limão 
  • Poncha de Tangerina
  • Poncha de Pitanga
  • Poncha Mirango - Lima




Como chegar:







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